50 anos do método Paulo Freire

Paulo Freire, nome que contribuiu para a alfabetização de muitos jovens e adultos que estavam sem perspectiva alguma de conseguirem decifrar as letras.

Esse educador valorizou a importância do aprender ao resgatar a vivência pessoal de seus alunos.

Muitos pescadores, rendeiras,lavradores, aprenderam a aprender através do método Paulo Freire.

Parabéns pela grande contribuição  à educação de jovens e adultos.Imagem 

 

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Ciência Para Todos

Descobrimos um blog sensacional que nasceu de uma ideia muito simples… 

Uma professora reuniu os seus alunos que por sua vez compraram a ideia de produzir textos de ciência para serem lidos pelos usuários de ônibus em Belo Horizonte….

O projeto é um sucesso!

Conheça um pouco mais sobre o projeto “CIÊNCIA PARA TODOS” no blog: http://www.ufmg.br/cienciaparatodos

Segue abaixo alguns textos que foram elaborados pelos alunos e que estão espalhados nos 240 ônibus da cidade.

 

AS VERRUGAS E AS ESTRELAS DO CÉU

Muitos dizem que contar estrelas no céu faz nascer verruga nos dedos!

Mas sabemos que não é bem assim. Você já se perguntou como as verrugas aparecem?

As verrugas são causadas por um tipo de vírus chamado “papiloma vírus”

ou HPV. Esse vírus só consegue entrar em nosso corpo através de um ferimento. Um pequeno arranhão, por menor que seja, é o bastante! O vírus

infecta tecidos da pele e de mucosas (como aquelas que revestem a boca,

por exemplo).

Nesses locais, a multiplicação do vírus acaba levando ao crescimento

anormal dos tecidos. Como resultado disso, as células se amontoam umas

sobre as outras até ficarem com a aparência da conhecida verruga.

Essas verrugas são muito comuns nas mãos e nos braços e podem ser

facilmente removidas por um médico. Em alguns casos, elas podem desaparecer espontaneamente com o tempo.

Mas uma atenção especial deve ser dada às verrugas genitais, que precisam de tratamento especial porque, além de serem sexualmente transmissíveis, podem evoluir para um câncer, como o de colo de útero. A relação do câncer com o vírus se dá porque o HPV altera a multiplicação das células: então elas passam a crescer de maneira desregulada, o que é uma característica do câncer.

É importante que nosso organismo esteja saudável para que não haja chances de desenvolvermos essas doenças. Assim, manter a saúde sempre em dia é uma excelente prevenção contra a infecção pelo HPV.

Ah, e quanto às estrelas… pode continuar a contá-las!

Texto originalmente escrito por Horácio Antônio Rodrigues para o programa Na Onda da Vida

da Rádio UFMG Educativa e adaptado por Michelle de Melo.

 

 

 

A VIDA QUE VEM DO SOL

Luz do sol

que a folha traga e traduz

em verde novo

em folha, em graça

em vida, em força, em luz.

Caetano Veloso

Com toda a sua força poética, Caetano Veloso aborda na canção “Luz do Sol” um dos processos mais fascinantes do mundo biológico: a fotossíntese! Esse processo permite a existência das plantas e, consequentemente, de todos os outros seres vivos.

É a fotossíntese que faz uma folha crescer, um tronco engrossar, um fruto surgir…

Toda a matéria vegetal que é encontrada na face da Terra só existe porque as plantas fazem fotossíntese. É claro que, para isso, elas precisam dos minerais, encontrados geralmente na terra onde estão plantadas, mas é o sol que lhes dá energia.

Para que o sol, lá de longe, forneça energia, diferentes moléculas da planta absorvem

a luz solar. Nas plantas, a clorofila é a principal molécula que percebe as ondas emitidas pelo sol e se modifica ao absorver essa energia.

Em seguida, com a ajuda dessa clorofila energizada, a água e o gás carbônico passam por reações químicas que produzem mais oxigênio para o ar e mais carboidratos para as plantas.

Assim como nós, animais, as plantas também precisam de muitos tipos de carboidratos para crescerem e se multiplicarem. Nas plantas eles são produzidos através da fotossíntese. Mas nós, seres humanos, não os produzimos. Portanto, devemos ingerir os carboidratos produzidos pelas plantas ou acumulados em outros seres, numa cadeia alimentar.

Ao conhecer esse fascinante processo, esperamos que o homem – “dono do sim e do não”, como diz Caetano em sua música – resolva não ferir a delicadeza dos ciclos naturais da vida, para termos um planeta mais verde, com mais fotossíntese, mais oxigênio e, assim, mais vida!

Texto originalmente escrito por Adlane Vilas-Boas para o programa “Ritmos da Ciência”, da Rádio

UFMG Educativa e adaptado por Laura Barroso.

 

 

MÃE TERRA

debulhar o trigo

forjar no trigo o milagre do pão

recolher a garapa da cana

roubar da cana a doçura do mel

afagar a terra

cio da terra propícia estação

Chico Buarque e Milton Nascimento

A letra dessa canção, de Chico Buarque e Milton Nascimento, descreve algumas fases da natureza, do cio da Mãe Terra, que é afagada, preparada para ser fecundada e dar frutos.

Esse parece ser um universo diferente daquele em que vivemos hoje, pois trata

de coisas básicas – plantar para a subsistência, conhecer a terra e seus elementos

– sobre as quais as pessoas da cidade grande geralmente não pensam. Parece estar num passado muito distante o ato de colher, da própria fazenda, o trigo para

fazer o pão e a cana para fazer o açúcar, como diz a música.

Nossa sociedade consome alimentos produzidos em escala industrial, ou seja,

grande quantidade de comida é plantada e colhida em pouco tempo. Essa produção é alcançada com o uso de quantidades enormes de fertilizantes químicos

e agrotóxicos. Mas, afinal, o que é mais importante: a necessidade da produção em larga escala ou o resgate da agricultura familiar autossustentável?

Existem discussões arrebatadoras entre os defensores dos lados opostos dessa

questão, ou seja, não existe uma resposta pronta para esse dilema. Mas uma

coisa é certa: nós, como sociedade, temos, junto aos cientistas, um importante

papel, que é utilizar os avanços da ciência para também cuidar da terra e de

nossa saúde. Por isso, é muito importante que cada um se informe da melhor

maneira sobre a realidade. Entender ciência é essencial para que alguém se torne um cidadão responsável pelo seu próprio futuro e pelo futuro de seu país.

Texto originalmente escrito por Adlane Vilas-Boas para o programa “Ritmos da Ciência” da

Rádio UFMG Educati va e adaptado por Laura Barroso.

 

 

CONHECENDO UM POUCO SOBRE CÉLULAS-TRONCO

 

Todo dia ouvimos falar de célula-tronco, mas você sabe o que significa esse nome? Sabemos que célula é a unidade estrutural e funcional dos seres vivos, ou seja, são elas que executam todas as tarefas de um corpo. E o tronco? Por que células-tronco?

Imagine o tronco de uma árvore. Ele sai do chão até surgirem os galhos, que mudam em folhas, flores e frutos. A célula-tronco é como o tronco de uma árvore. A partir dela, surgem todas as células do corpo, diferentes umas das outras e com funções específicas.

As células-tronco acompanham o ser vivo desde a sua criação. Depois, elas se diferenciam, por exemplo, em células do coração, do cérebro, da coluna vertebral ou em outras células do organismo. Essa é uma capacidade especial e única das células- tronco, porque as outras células só se diferenciam em um tipo específico de tecido. Dessa maneira, uma célula da pele só poderá reconstituir a pele, nunca outro órgão.

À medida que um ser vivo vai crescendo, ainda guarda algumas células-tronco. Mas essas células têm capacidade de diferenciação limitada, ou seja, as células-tronco adultas só se diferenciam em alguns tipos de tecidos.

Hoje em dia, os cientistas estudam formas de programar células-tronco para que elas se diferenciem em tecidos ou órgãos que precisam ser reparados. Essa é a chamada medicina regenerativa, que promete, para o futuro, avanço significativo no tratamento de algumas doenças como, por exemplo, doença de Parkinson e doenças do coração.

Texto originalmente escrito por Horácio Antônio e Solange Ribeiro para o programa Na Onda

da Vida, da Rádio UFMG Educativa 104,5 FM, e adaptado pela equipe do Ciência para todos.

 

 

 

A HISTÓRIA DE GALILEU

Você já ouviu falar de Galileu Galilei? Ele é considerado o pai da ciência moderna por defender o uso de experimentos para comprovar hipóteses.

Mas o que tornou Galileu mais famoso foi a sua briga com a Igreja Católica sobre o movimento da Terra e do Sol.

Galileu defendia que a Terra girava ao redor do Sol, uma ideia muito estranha, pois, a época, acreditava-se que a Terra era o centro do Universo. Poucos acreditaram nele, mas hoje sabemos que Galileu estava certo. Na verdade, o movimento do Sol que observamos no céu, ao longo do dia, é apenas uma sensação.

Por causa dessa briga, Galileu é visto como o herói que revelou a verdade e a Igreja é vista como a vilã que o condenou. Mas nem tudo é como parece ser. O herói nem sempre está certo e a vilã, nem tão errada.

Alguns historiadores defendem que a Igreja não era contra avanços científicos, mas era contra ideias que contradiziam ensinamentos bíblicos. O próprio Papa era amigo de Galileu e via os estudos dele com bons olhos. Mas sentiu que sua confiança foi traída quando Galileu que publicou um livro em que defendia as próprias ideias como verdade e não como hipótese, sem ter provas suficientes para isso e de forma arrogante.

Galileu acabou pagando caro por ter usado as palavras erradas, ficando em prisão domiciliar pelo resto da vida. Recentemente a Igreja se desculpou pelo erro de ter condenado Galileu.

Texto originalmente escrito por Brunah Schall para o programa Na Onda da Vida, da Rádio

UFMG Educativa 104,5 FM, e adaptado por Yuri Fernandes.

 

 

O SEGREDO DOS VAGALUMES NAS PULSEIRAS DE NEON

As reações químicas acontecem onde menos imaginamos. É o caso das pulseiras de neon e dos vagalumes, que emitem luz através de reações químicas.

Na pulseira de neon ocorre quimiluminescência, que emite luz fria em consequência de uma reação química. Já a bioluminescência é um processo semelhante, porém acontece naturalmente em seres vivos, como no vagalume, em que a energia obtida dos alimentos se transforma em energia luminosa.

A emissão de luz nos vagalumes ocorre para atrair as presas e para a comunicação sexual entre os parceiros: o sistema nervoso do macho emite um sinal quando ele encontra a fêmea. Infelizmente a reprodução deles está ameaçada pela luz artificial das cidades, que inibe o efeito da luminescência.

Já as pulseiras de neon são constituídas por uma solução química de corante e um derivado do petróleo. Dentro da pulseira há uma ampola com uma solução de água oxigenada. Quando a pulseira dobra, a ampola quebra e as soluções se misturam, fazendo com que ocorra uma reação provocando a emissão de luz da cor do corante.

A intensidade da luz e o tempo de emissão dependem das condições de temperatura: em baixa temperatura, a intensidade da luz será fraca, mas durará mais tempo; em alta temperatura, a intensidade será alta, mas durará pouco, pois a reação será mais rápida.

Como podemos ver, a pulseira de neon é uma reprodução, em laboratório, daquilo que a natureza faz com excelência.

Texto escrito por Drielle Barbosa Pereira e Fabiana Andrade Campos, do Colégio Técnico da

UFMG, premiado no Concurso de textos científicos promovido pelo Departamento de Química

e Diretoria de Divulgação Científica da UFMG em comemoração ao Ano Internacional da Química.

 

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Filmes de Ficção Científica

Escolhemos essa lista de filmes de ficção científica para você!

WALLY E –

Tudo começa a partir de uma Terra inóspita e entulhada de lixo, uma visão que já de início surpreende. Nele vive o pequeno robô Wall-E, que tem por missão compactar o lixo existente. Tendo apenas a companhia de uma barata – uma ótima aposta corajosa da Pixar -, Wall-E é também curioso. Coleciona diversos objetos que encontra durante o trabalho, que indicam que neste mesmo planeta um dia já houve vida.

Como se pode perceber, a vida de Wall-E é solitária. Até surgir Eva, um moderno robô que passa a vasculhar todo o planeta. Sempre curioso, Wall-E tenta conhecê-la. E se apaixona. Uma situação insólita por serem dois robôs os envolvidos, mas ao mesmo tempo terna e cativante. Pois o sentimento deles não é apresentado por palavras, mas por emoções. Praticamente em metade do filme não há diálogos, apenas ruídos robotizados que quase sempre são a repetição dos nomes do casal. A excelência da animação e os precisos movimentos de Wall-E e Eva, cuidadosamente e carinhosamente calculados, dão o tom. E nasce uma história de amor, das mais puras e singelas que o cinema produziu nos últimos anos.  

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9 – A SALVAÇÃO

Em um mundo devastado pela ganância do homem, sobraram apenas máquinas e estranhos bonecos de tecido. 9 (Elijah Wood) desperta no laboratório de seu criador e, desorientado, deixa o local. Ele encontra 2 (Martin Landau), que o conserta para que possa também falar. Logo ambos são atacados por uma máquina, que leva 2 como prisioneiro. 9 encontra outros bonecos, que o levam para seu esconderijo. Lá ele conhece 1 (Christopher Plummer), líder dos bonecos, que prega que eles devam se esconder até que as máquinas deixem de funcionar. Só que 9 deseja resgatar 2 e tenta convencer outros bonecos a ajudá-lo em sua missão.

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MARTE PRECISA DE MÃES

Milo (Seth Green) tem apenas nove anos de idade e só descobre o verdadeiro valor da mãe (Joan Cusack) quando ela é raptada por marcianos que planejam roubar sua sabedoria materna para beneficiar seus respectivos filhos. Mas o menino não está disposto a entregar os pontos e vai partir numa verdadeira aventura épica para salvá-la das mãos do inimigo, nem que para isso tenha que se aliar a uma raça alienígena e uma rebelde marciana Ki (Elisabeth Harnois). 

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AVATAR

Jake Sully (Sam Worthington) ficou paraplégico após um combate na Terra. Ele é selecionado para participar do programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo, falecido. Jake viaja a Pandora, uma lua extraterrestre, onde encontra diversas e estranhas formas de vida. O local é também o lar dos Na’Vi, seres humanoides que, apesar de primitivos, possuem maior capacidade física que os humanos. Os Na’Vi têm três metros de altura, pele azulada e vivem em paz com a natureza de Pandora. Os humanos desejam explorar a lua, de forma a encontrar metais valiosos, o que faz com que os Na’Vi aperfeiçoem suas habilidades guerreiras. Como são incapazes de respirar o ar de Pandora, os humanos criam seres híbridos chamados de Avatar. Eles são controlados por seres humanos, através de uma tecnologia que permite que seus pensamentos sejam aplicados no corpo do Avatar. Desta forma Jake pode novamente voltar à ativa, com seu Avatar percorrendo as florestas de Pandora e liderando soldados. Até conhecer Neytiri (Zoe Saldana), uma feroz Na’Vi que conhece acidentalmente e que serve de tutora para sua ambientação na civilização alienígena.

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A.I. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Na metade do século XXI, o efeito estufa derreteu uma grande parte das colatas polares da Terra, fazendo com que boa parte das cidades litorâneas do planeta fiquem parcialmente submersas. Para controlar este desastre ambiental a humanidade conta com o auxílio de uma nova forma de computador independente, com inteligência artificial, conhecido como A.I. É neste contexto que vive o garoto David Swinton (Haley Joel Osment), que irá passar por uma jornada emocional inesquecível.

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FAHRENHEIT 451

Em um Estado totalitário em um futuro próximo, os “bombeiros” têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura um propagador da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva.

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O HOMEM BICENTENÁRIO

Em 2005, uma família americana compra um novo utensílio doméstico: o robô chamado Andrew (Robin Williams), para realizar tarefas domésticas simples. Entretanto, aos poucos o robô vai apresentando traços característicos do ser humano, como curiosidade, inteligência e personalidade própria. O início da saga de Andrew em busca de liberdade e de se tornar, na medida do possível, humano.

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EU,ROBÔ

Em 2035 a existência de robôs é algo corriqueiro, sendo usados constantemente como empregados e assistentes dos humanos. Os robôs possuem um código de programação chamado Lei dos Robóticos, que impede que façam mal a um ser humano. Esta lei parece ter sido quebrada quando o Dr. Miles aparece morto e o principal suspeito de ter cometido o crime é justamente o robô Sonny. Caso Sonny realmente seja o culpado, a possibilidade dos robôs terem encontrado um meio de quebrarem a Lei dos Robóticos pode permitir que eles dominassem o planeta, já que nada mais poderia impedi-los de subjugar os seres humanos. Para investigar o caso é chamado o detetive Del Spooner (Will Smith) que, com a ajuda da Dra. Susan Calvin (Bridget Monayhan), precisam desvendar o que realmente aconteceu.

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O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

A Terra sofre alterações climáticas que modificam drasticamente a vida da humanidade. Com o norte se resfriando cada vez mais e passando por uma nova era glacial, milhões de sobreviventes rumam para o sul. Porém o paleoclimatologista Jack Hall (Dennis Quaid) segue o caminho inverso e parte para Nova York, já que acredita que seu filho Sam (Jake Gyllenhaal) ainda está vivo.

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TRON O LEGADO

Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um gênio da informática que, um dia, desapareceu sem deixar vestígios. Seu filho Sam (Owen Best), na época com sete anos, é criado pelos avós e a empresa de Flynn, a Encom, é gerenciada pelos demais acionistas. Já com 27 anos, Sam não quer assumir o controle da empresa e prefere boicotá-la uma vez por ano. Um dia o braço direito de seu pai, Alan Bradley (Bruce Boxleitner), recebe um bipe, o que faz com que Sam vá até o local onde Kevin tinha uma série de consoles de videogame. Lá Sam encontra uma passagem secreta, que o leva a uma câmara onde está o último trabalho de seu pai. Sam o aciona e é levado a outro mundo, tecnológico, habitado por programas de computação.

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PAUL, O ALIEN FUGITIVO

Os amigos Graeme Willy (Simon Pegg) e Clive Gollings (Nick Frost) tinham programado a viagem dos sonhos para qualquer apaixonado pelo tema “discos voadores”: uma visita a famosa e sempre negada pelo exército Área 51. Só que no meio do caminho eles encontraram Paul ( Seth Rogen), um alienígena que escapou da base militar e precisa encontrar sua nave mãe para retornar ao seu planeta em segurança. Começa então uma insana aventura do trio para escapar das garras do Agente Zoil (Jason Bateman) e seus asseclas.

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A ERA DO GELO

O mamute Manny (Ray Romano/Diogo Vilela), o tigre de dente de sabre Diego (Dennis Leary/Márcio Garcia) e a preguiça-gigante Sid (John Leguizamo/Tadeu Melo) são amigos em uma época muito distante dos dias atuais e vivem suas vidas em meio a muito gelo. Até o dia em que eles encontram um menino esquimó totalmente sozinho, longe de seus pais, e decidem que precisam ajudá-lo a achar a sua família. Enquanto isso, o esquilo pré-histórico Scrat segue na sua saga para manter sua amada noz protegida de outros predadores.

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Fonte: Adoro cinema

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Maiores Escritores de Ficção Científica de Todos os Tempos

 

Quem nunca sonhou em ter uma máquina do tempo e nela viajar para o futuro conhecendo outros mundos, compartilhando novas ideias.

Aproveite esse momento para descobrir um pouco desses escritores repletos de imaginação e sabedoria.

E você que tema escolheria para escrever o seu conto de ficção científica?

1 – H. G. Wells: Esse cara colocou o mundo em guerra numa invasão alienígena assustadora, e ainda principiou as viagens temporais com sua Máquina do Tempo, ou seja, credenciais que fazem jus a ele liderar o topo desta lista;

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2 – Isaac Asimov: Pense em tudo que você sabe sobre robôs. Pois quando para nós esta era uma distante realidade este escritor imaginava um mundo com essas máquinas que hoje fazem parte do cotidiano, além de o próprio ter criado a tão conhecida “as três leis da robótica” que permitem os robôs entre nós;

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3 – Julio Verne: Um escritor que sempre esteve à frente de seu tempo e nos brindou com inúmeras invenções maravilhosas que foram imaginadas por ele, além é claro, de ter sido o primeiro a levar os homens à Lua;

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4 – Arthur C. Clarke: Coube a este autor levar o homem mais longe pelas galáxias, e 2001: Uma odisseia no espaço, é talvez um dos principais marcos da Ficção Científica. Entre suas contribuições a de maior importância talvez seja o conceito de satélite geoestacionário como futura ferramenta para desenvolver as telecomunicações. Ele propôs essa ideia em um artigo científico intitulado “Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?”, publicado na revista Wireless World em Outubro de 1945. A órbita geoestacionária também é conhecida, desde então, como órbita Clarke.;

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5 –Philip K. Dick: Uma das coisas mais chatas que pode acontecer para um escritor, com certeza é obter reconhecimento só depois da morte. E foi o caso de Dick, mas que porém mudou alterou profundamente o gênero literário, e deixou um legado com obras como Blade Runner e Minority Report;

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6 – George Orwell: Sua escrita é aclamada pela crítica, e seu romance 1984 está entre os principais livros já produzidos pela literatura, com a figura marcante do Grande Irmão, o Big Brother e também o A revolução dos bichos;

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7 – Michael Crichton: É o responsável por perigosas pesquisas genéticas que podem trazer de volta, antigas feras, graças à reconstrução de seus DNA, e permitir que dinossauros andem entre nós;

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8 – Richard Matheson: Escritor que também escreveu para séries de TV, foi um dos precursores dos zumbis nascidos por problemas científicos no renomado romance Eu sou a lenda;

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9 – Poul Anderson: Autor da era dourada da FC americana, era mestre do estilo da Space Opera, Anderson é, provavelmente, mais conhecido pelas suas narrativas de aventuras onde personagens carismáticas se sucedem de forma graciosa ou que sucumbem de forma heroica.

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10 – Jerônymo Monteiro: Se hoje a FC ainda é um mercado mais restrito no Brasil, imagine então quando esse cara lá em mil novecentos e lá vai pedrada enveredou para esse lado, sendo o precursor da FC no Brasil. Foi ele o primeiro a colocar um espírito a viajar pelo tempo, e ir parar em pleno século 81.

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 Fonte:

Listas Literárias

Bibliotecas USC

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Cientistas propõem viagem sem volta a Marte.

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Você aceitaria fazer parte dessa viagem? Já imaginou colonizar outro planeta? 

Que tal essa história para montar um conto de ficção cientifica?

 

Redação do Site Inovação Tecnológica – 25/10/2010

Imagens: iranews.com.br

 

Uma estratégia seria enviar inicialmente quatro astronautas, dois em cada uma de duas espaçonaves, ambas com módulo de pouso e com suprimentos suficientes. 

Voos tripulados

Quando Barack Obama tomou posse, ele afirmou que era preciso rever os projetos de voos tripulados da NASA.

Embora tenha dito que poderia ser possível enviar o homem a Marte até 2030, o efeito mais imediato da nova política espacial da NASA foi o cancelamento do projeto de retorno à Lua.

Com um mero passeio lunar cada vez mais distante, e com as decepcionantes dificuldades que a própria NASA demonstrou na execução do projeto Constelação, que nada mais era do que um upgrade da histórica Apolo, ir a Marte ou a qualquer outro planeta parece um sonho cada vez mais distante.

Viagem sem volta a Marte

Mas talvez haja uma alternativa, uma missão que seja mais simples e mais barata e que viabilize a chegada do homem a Marte.

Para isso, basta que seja uma viagem sem volta, ou seja, uma viagem para astronautas que aceitem o desafio de ir para Marte sem qualquer plano de voltar a Terra.

Esta é a proposta de Dirk Schulze-Makuch, da Universidade do Estado de Washington, e do renomado Paul Davies, da Universidade do Estado da Flórida, ambas nos Estados Unidos.

Eles acabam de delinear como seria uma missão sem volta a Marte em um artigo publicado na revista científica Journal of Cosmology, chamado To Boldly Go: A One-Way Human Mission to Mars – Para Audaciosamente ir: Uma Missão Humana sem Retorno a Marte, em tradução livre. O “audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais foi antes” é a marca registrada do seriado Jornada nas Estrelas.

Os dois físicos consideram que, embora tecnicamente factível, uma missão tripulada de ida e volta a Marte é improvável num horizonte de tempo razoável – principalmente, segundo eles, porque seria um projeto incrivelmente caro, tanto em termos financeiros quanto em sustentação política.

E, como a maior parte do gasto está ligado à necessidade de trazer os astronautas de volta em segurança, uma missão só de ida poderia não apenas reduzir os custos a uma fração do projeto inicial, como também marcar o início da colonização humana de longo prazo do planeta.

 

Uma missão só de ida a Marte seria o primeiro passo para o estabelecimento de uma presença humana permanente no planeta. 

Colonização de Marte

Marte é o alvo mais promissor para uma colonização humana porque ele é muito similar à Terra: possui uma gravidade moderada, uma atmosfera, “água abundante”, dióxido de carbono e uma infinidade de outros minerais essenciais.

É o segundo planeta mais próximo da Terra, depois de Vênus, e uma viagem a Marte levaria apenas seis meses, usando a opção de lançamento mais favorável e a atual tecnologia dos foguetes químicos.

“Uma estratégia seria enviar inicialmente quatro astronautas, dois em cada uma de duas espaçonaves, ambas com módulo de pouso e com suprimentos suficientes, para estabelecer um único posto avançado em Marte. Uma missão só de ida a Marte seria o primeiro passo para o estabelecimento de uma presença humana permanente no planeta,” explicou Schulze-Makuch.

Embora afirmem que seria essencial que os astronautas fossem voluntários, Schulze-Makuch e Davies ressaltam que não estão propondo que os pioneiros espaciais sejam simplesmente abandonados à própria sorte em Marte – eles propõem uma série contínua de missões, suficientes para dar suporte à colonização de longo prazo.

 

Rocha com um desenho que lembra um crânio humano, encontrada em Marte. 

Terráqueos marcianos

“Teria de fato muito pouca diferença dos primeiros pioneiros brancos que foram para o continente norte-americano, que deixaram a Europa com poucas expectativas de retorno,” diz Davies.

“Exploradores como Colombo, Frobisher, Scott e Amundsen, embora não embarcassem em suas viagens com a intenção de se fixar em seus destinos, de qualquer forma assumiam riscos pessoais gigantescos para explorar novas terras, sabendo que havia uma probabilidade significativa de que poderiam morrer na tentativa.”

Embora proponham que os colonos espaciais comecem logo a cultivar e explorar os recursos do próprio planeta, os cientistas afirmam que eles poderiam receber periodicamente suprimentos enviados da Terra.

E eles vão audaciosamente ainda mais longe: o posto avançado poderia se tornar autossuficiente e se tornar uma base para um programa de colonização espacial ainda maior, de onde os “terráqueos marcianos”, ou mesmo terráqueos de nascença, poderiam partir para ir mais longe.

 

Áreas apontadas pelos pesquisadores como promissoras para a primeira colônia humana em Marte, por conterem cavernas e relevo capaz de funcionar como proteção para os colonos espaciais.

Seguro contra catástrofes

Os cientistas afirmam que o primeiro passo para a missão sem volta seria a seleção de um local adequado para a colônia, que preferencialmente tenha uma caverna ou outro relevo que sirva de abrigo, assim como recursos nas proximidades, como água, minerais e nutrientes para agricultura.

Marte não tem uma camada de ozônio e nem uma magnetosfera que proteja contra a ionização e os raios ultravioletas. Por isso, uma caverna seria muito importante. As cavernas marcianas também poderiam conter depósitos de gelo em seu interior, embora isso ainda não tenha sido comprovado.

O artigo sugere que, além de oferecer um “bote salva-vidas” no caso de uma mega-catástrofe na Terra, uma colônia em Marte seria uma plataforma inigualável para pesquisas científicas. Os astrobiólogos acreditam que é grande a probabilidade de que Marte tem ou já teve vida microbiana, e que seria uma oportunidade imperdível estudar uma forma de vida alienígena e um segundo registro evolucionário.

Espírito explorador

 

A colonização de Marte exigirá o retorno o espírito explorador e do ethos de assumir riscos do período das grandes explorações na Terra. 

Embora acreditem que a estratégia para colonizar Marte com missões sem retorno coloque o projeto, financeira e tecnologicamente, ao alcance das possibilidades atuais, Schulze-Makuch e Davies afirmam que a ideia precisará não apenas de um grande esforço de cooperação internacional, mas também exigirá o retorno o espírito explorador e doethos de assumir riscos do período das grandes explorações na Terra.

Segundo eles, ao levantar a ideia entre seus colegas cientistas, vários deles manifestaram a intenção de se inscreverem como voluntários para tal missão.

O próprio Schulze-Makuch afirma que seria o primeiro voluntário a se inscrever no projeto – mesmo reconhecendo o fato de que, quando tal missão estivesse pronta para partir, ele certamente não teria mais idade para embarcar.

“Pesquisas informais feitas após palestras e conferências sobre a nossa proposta mostraram repetidamente que muitas pessoas gostariam de se voluntariar para uma missão sem retorno, tanto por razões de curiosidade científica, quanto por um espírito de aventura e de cumprir o destino da humanidade,” afirmam eles.

Bibliografia:

To Boldly Go: A One-Way Human Mission to Mars
Dirk Schulze-Makuch, Paul Davies
Journal of Cosmology
October-November, 2010
Vol.: 12, 3619-3626
http://journalofcosmology.com/Mars108.htmlImagem

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FUTURO DA HUMANIDADE – PALESTRA PROFERIDA POR ISAAC ASIMOV

Esta é uma transcrição de uma palestra dada por Isaac Asimov no Newark College of Engineering, em 8 de Novembro de 1974. Essa transcrição foi traduzida do inglês para o português por Cristine Martin, que por sua vez pegou o original publicado no site asimovonline.com.

INTRODUÇÃO

É agora com grande prazer que eu lhes apresento um homem que é provavelmente o escritor de ficção científica mais prolífico do mundo nos dias de hoje. E, ele é também um homem muito erudito…e eu não vou falar mais, porque ele é muito mais esperto que eu. Eu apenas vou… bem, isto não é falar demais, mas… eu vou trazê-lo até aqui agora. Ahhn… por favor, recebam o Dr. Isaac Asimov.

(aplausos)

Palavras do Dr. Asimov:

Obrigado, obrigado. Eu tenho… vocês podem ouvir o que eu estou dizendo, ou eu terei que me inclinar até isto aqui?

(sem resposta)

Vocês podem me ouvir quando eu falo assim? Alguém?

(algumas pessoas respondem que podem entendê-lo.)

OK.

Eu tive uma viagem muito emocionante vindo para Newark.

(risadas)

Porque, vocês sabem, minha correspondência vai para o meu escritório. Que não é onde eu moro. E quando me disseram que iriam me buscar, eu cuidadosamente escrevi uma carta bem clara explicando exatamente onde eu moro. O que inevitavelmente fez que eles mandassem o pessoal para o meu escritório.

(risadas suaves)

Enquanto eu estava lá na rua, esperando pelo carro, ouvido o tique-taque dos minutos passando, percebendo que eu deveria estar aqui às oito horas… eu fiquei desesperado. Finalmente chamei minha esposa ao interfone e disse: “Ligue para meu escritório e pergunte se há alguns idiotas lá procurando por mim”

(risos)

Ela fez isso, e me chamou de volta, dizendo que era lá que eles estavam, e que ela havia dito a eles para virem aqui. Eu disse: “Por que você fez isso?” Eu disse “São quatro quarteirões. Eles nunca vão conseguir!”

(risos)

Eles quase não conseguiram.

(risos)

Eu tive que esperar mais dez minutos.

(risadas fracas)

Então, mas finalmente chegamos aqui cinco minutos adiantados. E batemos em uma porta fechada.

(risadas fracas)

E um guarda de segurança abriu, e disse: “Você não pode entrar”.

(risadas fortes)

E os dois rapazes que estavam comigo, que pareciam estudantes de faculdade… tipos bem insípidos…

(risadas fracas)

…disseram: “Tudo bem com a gente”, ele disse, “Mas este é o palestrante”. E o guarda olhou para mim, e disse: “este é o palestrante?” E eles disseram que sim. “Eu ouvi dizer que o palestrante está lá em cima”

(risadas bem fortes)

E então entramos por outra porta onde não havia nenhum guarda.

(risos)

E aqui estou eu. Agora, aquele outro palestrante não vai dizer uma palavra a vocês, mas aposto que ele vai receber o cachê.

(risos)

Ahhh… Mas de qualquer modo, agora vocês percebem por quê eu odeio viajar. Minha discussão sobre o futuro do homem se aplica muito, muito bem ao que acabou de acontecer comigo, como vocês logo vão ver. Deixem me explicar.

Uma vez, quando eu não tinha nem dezenove anos, escrevi uma história chamada “Trends” (tendências). Foi à primeira história que eu vendi a John Campbell para a velha “Astounding Science Fiction”. Ela apareceu no número de julho de 1939. E nela eu falei da primeira viagem ao redor da Lua e de volta à Terra . Eu a coloquei na década de 1970. A primeira tentativa, que foi um fracasso, foi em 1973. E a segunda tentativa, que foi um sucesso, foi em 1978. O voo verdadeiro aconteceu em 1968, então eu fui conservador em dez anos. Além disso, meu voo foi tudo o que houve, enquanto que na vida real o voo ao redor da Lua foi precedido de todos os tipos de voos orbitais e suborbitais, e acoplamentos, e correções de meio-curso, e satélites de comunicação, e satélites de navegação… tudo sob o sol.

Então vocês podem ver como eu estava errado. De fato, eu estava ainda mais errado que isso, porque quando eu escrevi minha história, em 1939…38, ela foi publicada em 39… quando eu escrevi essa história, eu tinha ideias definidas sobre como um voo espacial aconteceria.

Em primeiro lugar, eu fiz meu inventor construir uma espaçonave em seu quintal.

(risadas fracas)

Em segundo lugar, eu tinha a atitude de que qualquer homem suficientemente bom para construir uma espaçonave era bom o suficiente para pilotá-la.

(risadas fracas)

O que eu quis dizer era que o inventor era o astronauta, uma grande economia de tempo e trabalho.

(risadas fracas)

Além disso, eu não me preocupei em estabelecer bases de computadores em nenhum lugar… especialmente, não no Texas. Porque hoje em dia, para ser perfeitamente honesto com vocês, e isso é o que eu gostaria de ser, perfeitamente honesto. Para ser perfeitamente honesto com vocês, eu realmente não vejo qual é o grande problema sobre chegar à Lua com computadores e as correções de meio curso. Sei que vocês são um bando de engenheiros, e vocês sabem melhor que eu, mas eu pergunto… uma vez que vocês tenham deixado a atmosfera, vocês veem ou não veem a Lua?
E se vocês veem a Lua, é só ir até ela, não?

(risadas mais fortes)

Na verdade, a única coisa que me deixou confuso… a única coisa que me deixou confuso nessa história é de onde lançar a espaçonave. Eu vivi no Brooklyn toda a minha vida, e olhando ao redor percebi que não havia um lugar de onde lançar uma espaçonave com segurança…

(risadas)

… sem causar a ira dos cidadãos.

E então eu pensei que seria melhor lançá-la de algum lugar fora do Brooklyn. E isso me deixou imediatamente encrencado porque eu não sabia, com certeza, se existia algum lugar fora do Brooklyn.

(risos)

Quero dizer, eu ouvi alguns rumores a respeito, mas eu sou um sujeito muito difícil de enganar. Eu gosto de provas concretas. Mas eu percebi que tinha de fazer alguma coisa, então eu lancei a nave… a espaçonave… dos limites mais distantes do mundo conhecido. Para ser mais preciso, na cidade de Jersey.

(risadas muito fortes)

Eu não estou brincando. Eu realmente o fiz. E ainda assim, eu vendi esta história.

(risadas)

Não apenas vendi esta história, mas ela foi reimpressa cinco vezes. A última vez, em 1973. Naquela época, eu suspeitava que a maioria das pessoas tinham uma boa ideia que os detalhes na minha história estavam errados.

(risadas fracas)

Bem, por que isto, vocês se perguntam? Eu lhes digo. A história não foi impressa por causa de qualquer um dos detalhes de engenharia… desculpem a expressão. Ela foi publicada porque eu tinha algo que o editor nunca havia visto antes. Eu havia postulado a resistência a um voo espacial. Havia uma grande organização de pessoas na terra que ficavam doentes com qualquer coisa sobre as pessoas tentarem sair para o espaço. Eles achavam que as pessoas deveriam ficar na terra e cuidar de seus próprios negócios. E isto nunca havia sido postulado antes. Nunca!

Até aquele momento, o único modo que a viagem especial havia sido tratada era ou o herói ir para Deneb ou algum lugar desse tipo, e lutar com os homens-ostras de lá,

(risadas fracas)

… e casar com a linda princesa que põe ovos,

(risadas fracas)

…sem qualquer referência seja da terra ou das pessoas que vivem lá. Por outro lado, o único modo de lidar com o voo espacial era ter o herói pousado na Lua, ou em outro lugar parecido, e então fazê-lo voltar e ser recebido com um desfile com chuva de papel picado, com todos muito felizes com seu ato heroico.

Nunca ocorreu a ninguém que realmente poderia haver alguma resistência ao conjunto da ideia; as pessoas deviam pensar que era uma ideia estúpida e um desperdício de dinheiro.

Depois que eu escrevi a história, novamente, ninguém teve a ideia. Eu não acho que alguma outra história tenha aparecido, onde houvesse algum tipo de oposição ao voo espacial. Digo, a princípio. Até a época em que a oposição apareceu.

E então vocês devem pensar como é possível que um rapazinho de dezoito anos, muito simples e ingênuo, que literalmente e honestamente duvidava se havia algum lugar fora do Brooklyn. Como era possível que ele pudesse ver algo tão claro, que cabeças mais velhas e mais duras não conseguiram ver?

E é difícil ter de explicar isto a vocês, porque eu preferiria que vocês pensassem que eu era muito esperto, e tinha algum tipo de chave para a sabedoria do universo. Quero dizer, é uma grande coisa com a qual poderia impressioná-los. Mas em vez disso, eu tenho que dizer a verdade, e vocês vão ver como toda a coisa era nojentamente simples. Eu estava indo para a Universidade Columbia naquela época, e não preciso lhes dizer, as anuidades eram assustadoras. Bom, eu me lembro que eram trezentos e sessenta e cinco dólares por semestre.

(risadas fracas da multidão).

E eu não podia pagar. Então procurei qualquer coisa que pudesse fazer para completar a anuidade. E uma das coisas que fiz foi me unir à NYA, National Youth Administration, que era um tipo de alívio para estudantes merecedores. Eles lhe dão pequenos empregos de sinecura, e lhe pagam a generosa soma de quinze dólares por mês. E isso lhe permite completar suas taxas.

E o emprego que eu consegui era servir como um tipo de secretário para um sociólogo que estava preparando um livro chamado “A Resistência Social a Mudanças Tecnológicas”. E isto é o que eu deveria fazer: eu tinha que ir até a biblioteca com uma lista de referências dadas por ele, e pedir os livros. Procurar as páginas onde eu acharia as referências, copiá-las a mão… porque aqueles eram os dias antes da Xerox. Felizmente também, pois de outro modo eu teria passado fome. Eu os copiava a mão, levava-os para casa, e os datilografava. Agora, era impossível que eu os copiasse e os datilografasse sem lê-los.

(risadas fracas)

Como resultado, eu li talvez noventa por cento do livro. Porque vocês devem entender como os livros eruditos são escritos, no caso de vocês um dia quererem escrever um livro erudito. A primeira coisa que se faz é conseguir mil referências, escolhidas aleatoriamente…

(risos)

Você então as põe em um livro, na ordem em que as encontrou…

(risadas fracas)

E adiciona duas ou três linhas de sua autoria entre cada uma delas para funcionar como argamassa…

(risadas fracas)

E você está feito.

Bem, quando eu li todas aquelas referências eu descobri, para minha surpresa, que através de toda a história houve resistência… e resistência amarga, exagerada, até a última gota… a toda mudança tecnológica significativa que aconteceu na terra. Geralmente a resistência vinha daqueles grupos que temiam perder influência, status, dinheiro… como resultado da mudança. Apesar de eles nunca terem admitido que esta era a razão para sua resistência. Era sempre o bem da humanidade que estava em seus corações.

Por exemplo, quando as diligências chegaram à Inglaterra, os proprietários do canal objetaram. Não que eles fossem perder dinheiro, apesar que iriam, mas eles temiam pela humanidade. Pois como as diligências chegavam a quinze milhas por hora, pelo Princípio de Bernoulli, o ar correndo pelas narinas das pessoas a bordo iria sugar todo o ar de seus pulmões.

(risadas do grupo)

Vocês sabem, quando eu conto esta história a um público que não é de engenheiros, eu não posso mencionar o Princípio de Bernoulli, que é o que dá o gosto da história.

Bem, naturalmente o pessoal das diligências riu bastante, e tudo o que eles tiveram de fazer foi correr com uma diligência a quinze milhas por hora com pessoas dentro e lhes mostrar que não havia perigo. Mas eles decoraram o argumento… para quando as ferrovias chegassem.

(risadas fracas)

Bem, então, lendo tudo isto, e foi o que fiz por um período de meses… eu li, e li… eu disse para mim mesmo: “Ei,eu posso fazer um silogismo com isto” porque eu estudei artes liberais e humanidades, e eles me ensinaram sobre silogismos.

Eu não sei se vocês rapazes sabem o que são silogismos. É… a unidade de um silogismo é um Aristóteles.

(risos)

Bem, vejamos, é… para colocar em termos de engenharia: Um Aristóteles por segundo é um silogismo rápido.

(risadas fracas)

Funciona assim: premissa principal: todas as mudanças tecnológicas encontram resistência. Premissa secundária: a viagem no espaço representa uma mudança tecnológica. Conclusão: (pausa)

(risos)

Aqui está o truque!

(risos)

Haverá resistência à viagem espacial.

E eu disse “Nossa!” E eu escrevi a história e a vendi. Minha primeira história, na Astounding, e eles a publicaram. E aqui estou eu, um gênio por ter previsto isso.

Mas agora, a questão é, se é assim tão simples, dá para entender como um garoto bobo de dezoito anos pôde pensar nisso. A questão que surge agora é, como é que ninguém mais viu?

E isto nos leva à conclusão que vocês também podem ter chegado a partir de minhas aventuras na minha vinda a Newark. Que é a seguinte: as pessoas são estúpidas.

(o grupo ri, e aplaude)

Nós não estaríamos nesta confusão se não fosse assim. Porque, acreditem em mim, estamos numa confusão. Agora, não é muito difícil ver que estamos em uma confusão, ou mesmo perceber há alguns anos que estávamos em uma confusão.

Vou lhes contar uma história que eu li em 1933. Há um cavalheiro aqui que tem uma cópia de “Before the Golden Age”, na qual eu conto esta história. Acredito que este cavalheiro não vai escutar.

Em 1933, eu li uma história chamada “O homem que acordou”, de Lawrence Manning. Nela, o herói queria ver como seria o mundo do futuro, e ele não estava no tipo de ficção científica onde ele teria uma máquina do tempo, então ele tinha que fazer alguma outra coisa. O que ele fez foi inventar uma poção, que ele bebeu e o fez dormir por cinco mil anos, e então ele acordou um pouco rouco, mas de qualquer modo, OK.

Agora, quando eu era jovem, eu tinha apenas treze anos na época, eu li isso e pareceu perfeitamente bem. Mas agora, vocês veem, nesses dias eu aplicava princípios de engenharia a algo assim. Eu disse a mim mesmo: “Nossa, uma poção que te põe para dormir por cinco mil anos e te acorda sem dano algum. Como é que se testa isso?”

(risadas do grupo)

Agora eu já descobri como, tudo bem, há um modo. Você dá uma pequena quantidade a um cão…

(risadas fracas)

… e espera cinco mil anos.

(risos)

De qualquer modo, ele se encontrava em um cofre no qual ele ficaria sem ser perturbado por cinco mil anos.
Nossa, a Grande Pirâmide de Gizé não foi suficiente para manter Quéops sem ser perturbado por quinhentos anos, que dirá cinco mil anos, mas tudo bem. Ninguém está procurando este cara.

(risadinhas do grupo)

E ele ficou lá por cinco mil anos, e então acordou ileso. Oh, ponham ou tirem alguns meses; quero dizer, não dá para ser exato com uma coisa dessas. E de algum modo ele pensou que iria sair e ver um mundo muito futurístico com todo tipo de aparelhos supermodernos voando pelo ar, e pílulas mágicas de alimentos, e tudo isso. Em vez disso, o que ele encontrou? Ele encontrou um mundo muito limitado. Um mundo no qual todos viviam vidas… vidas não muito ricas. Vocês sabem… eles se vestiam com moletons , andavam por aí, e se preocupavam muito com a próxima refeição. E então ele lhes disse “O que é isto?”, ele diz. “Vocês estão vivendo vidas muito limitadas. Onde está todo o futurismo que eu esperava?” Então eles disseram “Oh, bem, você não entende”. Ele disse: “Estamos com pouca energia. Muito pouca porque há milhares de anos houve uma ou duas gerações de humanos que queimaram todo o petróleo e o carvão da Terra, e não nos sobrou nada.” E nosso herói diz “Estranho vocês dizerem isso”, ele diz, “Acontece que eu sou da geração que fez isso com vocês!”

(risadinhas)

(risadas fracas)

E ele voltou para o cofre bem a tempo, trancou a porta, e tomou outra poção para ver se algo novo aconteceria cinco mil anos mais tarde.

Esta era a primeira de cinco histórias, mas foi aquela que eu sempre lembrei porque, você sabe… eles sempre dizem… costumavam dizer quando eu era um garoto, que ficção científica era literatura escapista. Eles gozavam de nós. Digo, aqui está um punhado de garotos estragados, geralmente com espinhas no rosto. E com óculos grandes; especialmente aqueles óculos grandes. E eles também eram garotos muito metidos, para seu próprio bem. Sempre por aí tirando notas altas nas aulas.

(cochichos e risos)

Quero dizer, de todo modo, não eram garotos decentes.

E aqui estava todo um mundo de garotos decentes preocupados com as coisas importantes da vida, como os pontos do baseball. Ou jogos de cartas, ou qualquer coisa que eles fizessem. E cabulando aulas. Coisas reais. E lá estão esses caras lendo ficção científica para fugir da realidade. Para fugir deste mundo. Literalmente para fora dele. E coisas estúpidas como a Lua, e mísseis, problemas populacionais, e todo tipo de coisas assim. E, por exemplo, a possibilidade que o carvão e o petróleo pudessem desaparecer.

Droga, quando li aquilo eu tinha treze anos, na época eu não pensei em silogismos, mas agora eu percebo, olhando para trás, que isso era parecido com um silogismo.

Premissa principal: O volume da Terra é finito. Premissa secundária: O volume total do carvão e do petróleo da Terra é menor que o volume total da Terra. Conclusão: O volume do carvão e do petróleo é finito.

Vocês podem pensar que isso era óbvio! Agora, vamos começar e tornar esta conclusão a premissa principal do próximo silogismo:

Premissa principal: O volume do carvão e do petróleo é finito. Premissa secundária: Estamos queimando um pouco todo dia. Conclusão: No final acabaremos usando tudo.

Bem, eu li isso em 1933. E agora vocês veem como a ficção científica nos ajuda a escapar. Ela ajuda a escapar para o tipo de problema que vai lhe manter preocupado por quarenta anos.

(risadas fracas)

Antes do resto de vocês, rapazes!

Bem, aqui estamos. Acabamos de atravessar um período de trinta anos de máxima prosperidade da humanidade. No geral nós saímos muito bem desde a Segunda Guerra Mundial. Nós temos… o mundo como um todo tem comido melhor, tem vivido melhor, tem tido um melhor padrão de vida do que nunca teve antes. Agora, vocês podem me dizer que durante todos estes trinta anos houve milhões… centenas de milhões de pessoas sempre com fome, sempre famintas, com muito pouco, e eu direi sim; tem sido podre.

Meu ponto é que antes de agora, tem sido sempre MAIS podre. E não temos realmente apreciado quão temporário isto é.

Por exemplo, temos tido grandes suprimentos de comida, e parte da razão para isso foi que tivemos um clima muito bom nos últimos trinta anos. De fato, há algumas pessoas que dizem que estes últimos trinta anos foram os melhores trinta anos em clima que tivemos nos últimos mil anos. Agora, vocês podem se lembrar de frios intensos, e inundações, e enchentes, e esse tipo de coisa. Tem havido menos disso tudo do que de costume. Além disso, enquanto tivemos esse clima bom, também estivemos aplicando mais energia que nunca na mecanização de fazendas, nas máquinas de irrigação. Além disso, estivemos usando inseticidas e pesticidas de vários tipos, para tentar acabar com aqueles tipos de bichos e pragas que acham que vão conseguir um pouco de nossa comida. E alem disso tudo também desenvolvemos novos tipos de sementes, a chamada “revolução verde”, que produz muita proteína e muito rápido. E com todas essas coisas juntas, nosso suprimento de comida tem aumentado.

Mas agora, olhem o que acontece.

A única coisa que torna possível para nós usarmos mais e mais energia é nosso mundo industrial e tecnológico. E outra coisa que nossa indústria produz é poeira. E o ar é mais sujo agora que nunca foi na história da humanidade. Exceto talvez temporariamente, depois de uma grande erupção vulcânica.

Isto significa que o albedo da Terra, a porcentagem de luz solar que é refletida de volta para o espaço antes de atingir o solo, tem aumentado ligeiramente porque o ar poeirento reflete mais luz que o ar limpo. E… bem, não muito mais, mas o suficiente. Isto tem feito a temperatura da Terra cair desde 1940. Tem diminuído constantemente. Novamente, não muito. Vocês provavelmente não têm percebido que os verões são mais frios, ou que os invernos são extraordinariamente gelados, eles não são. A queda na temperatura pode ter sido de um grau. Mas é o suficiente para diminuir a estação de crescimento das plantações nos climas do norte. Ela torna o clima um pouco pior. Ela manda as tempestades um pouco mais para o sul, faz que o Deserto do Saara se estenda para o sul, então as monções na Índia diminuem um pouquinho mais. Só o suficiente para que as colheitas não sejam tão boas como costumavam ser e a reserva de alimentos da Terra caia para seu nível mais baixo na história recente.

E enquanto isto está acontecendo… e vai continuar acontecendo porque o ar não vai deixar de ficar poluído a menos que paremos nossa atividade industrial. E se pararmos nossa atividade industrial, será porque estaremos sofrendo algum desastre completo.

Então, o tempo não vai melhorar. O ar vai ficar poluído, e vai continuar ficando um pouco mais frio. Ao mesmo tempo, vai ficando mais difícil conseguir energia. Energia é muito mais cara do que costumava ser; os preços do petróleo sobem. E isso significa que os fertilizantes são mais caros que costumavam ser. E acontece que a revolução verde depende das variedades de grãos que precisam de … sim, eles fazem o que têm de fazer… mas eles precisam de muita irrigação; muita água, e muito fertilizante. E o fertilizante não está lá. E é difícil fazer a máquina de irrigação funcionar agora, com o petróleo caro. E, é claro, os pesticidas são produzidos em fábricas químicas com alto consumo de energia; seu preço também sobe. Tudo se combina para diminuir o suprimento de alimento. E para que, nos anos que virão, possamos ter problemas em manter nossos níveis atuais de alimento, que dirá para aumentá-los.

É claro que vocês podem dizer: “Bem, que se dane! A humanidade deu um jeito há trinta anos, antes que as previsões de bom clima viessem, quando havia inundações no meio-Oeste, e regiões sujeitas a secas, e quando havia muito menos máquinas agrícolas em uso, e máquinas de irrigação, e não havia revolução verde, e não estavam,os usando pesticidas… exceto Paris Green e outras coisinhas como aquelas. E quando não nos preocupávamos, não nos preocupávamos sobre todos os outros meios de aumentar o suprimento de alimento também, então vamos voltar ao que era então, e viveremos a vida simples.”

Sempre há pessoas que pensam que tudo o que temos de fazer, depois de tudo, é abandonar toda esta tecnologia tola da qual nos tornamos escravos, e voltar a viver como nossos ancestrais e viver próximos da terra com as boas coisas da natureza. Seria bom se pudéssemos fazê-lo. Se pudéssemos voltar a como era antes da II Guerra Mundial, tecnologicamente, se pudéssemos sustentar todas as pessoas que viviam na Terra antes da II Guerra Mundial. O problema é que nestes últimos trinta anos um bilhão e meio de pessoas foram adicionados à população da Terra. E temos alimentado essas pessoas principalmente por causa de todas essas coisas que temos feito nestes trinta anos, o bom clima, os fertilizantes, os pesticidas, e a irrigação, e a revolução verde, e todo o resto. Se abandonarmos isso, teremos também que abandonar um bilhão e meio de pessoas; e haverá muito poucos voluntários para a tarefa.

Que diabos, é assim com tudo. Estamos em uma situação da qual não podemos voltar. Não podemos abandonar a tecnologia. Não podemos dizer “Bem, que se dane! Vamos voltar para a boa e velha lareira com as boas e velhas toras de madeira naturais. Não precisamos desta droga de aquecimento central!”. Há duas coisas sobre a lareira com as boas e velhas toras de madeira. Em primeiro lugar, é um sistema podre para se aquecer a casa, e é por isso que primeiramente as pessoas mudaram para a fornalha a carvão e então para a caldeira a óleo. Elas não fizeram isso porque elas detestavam a natureza. Elas não o fizeram também por que viraram as costas a coisas que eram legais, e só queriam coisas sujas e modernas, não.

(sacudidas do grupo)

A lareira não funcionava! É por isso!

E em segundo lugar, se todos nós decidíssemos usar lareiras como nossos ancestrais pioneiros faziam, deveríamos nos lembrar que havia talvez três milhões de pioneiros ancestrais, e há duzentos milhões de nós. E não há madeira suficiente. E o preço subiria instantaneamente. E haveria um mercado negro. E as florestas seriam destruídas.

E o mesmo aconteceria se você substituísse a luz elétrica por velas. Há algo de muito romântico em estudar a luz de velas até o momento em que você tenta fazê-lo.

(risadas fracas)

E se vocês acham que estudar a luz de velas é ruim, esperem até que tentem fazer um televisor funcionar com a luz de velas.

(risos)

Bem, então, o que vamos fazer no futuro? A população ainda está aumentando. A população está agora maior que nunca esteve na história do mundo; estamos bem perto dos quatro bilhões. E o aumento, a taxa de aumento é maior que nunca na história do mundo, dois por cento por ano. Nunca esteve tão alta. Bem agora, a população mundial está aumentando em duzentas mil bocas famintas a cada dia. Lá pelo ano 2000, tentando evitar a catástrofe, a população da Terra deverá ser de sete bilhões. Ninguém acha que o suprimento de alimento da Terra vai quase dobrar perto do ano 2000. Pode ser que nosso suprimento de comida não aumente muito. Haverá quantidades terríveis de famintos. Que poderemos fazer a respeito?

Bem, em toda a história da Terra, houve períodos em que uma determinada espécie, por uma ou outra razão, aumentou seu número temporariamente. Houve uma quantidade surpreendentemente boa de alimento, o clima esteve muito bom, de algum modo não houve predadores… algo aconteceu, e os números subiram. Eles sempre desceram novamente e sempre do mesmo modo; por um aumento na taxa de mortalidade. Um grande número de indivíduos da espécie passou fome quando a comida escasseou. Eles caíram vítimas de alguma doença, quando ficaram mais fracos como resultado da diminuição de rações. Eles se tornaram bons alvos para predadores. O número sempre diminuiu. E a mesma coisa vai acontecer com a humanidade, não temos de nos preocupar. A taxa de mortalidade vai subir, e vamos morrer pela violência, pela doença, pela fome.

A única coisa é, devemos ter nosso número controlado do mesmo modo que todas as outras espécies fizeram? Temos algo que as outras espécies não têm; nós temos cérebros. Podemos prever. Podemos planejar. Podemos ver soluções que são humanas. E há uma solução que é humana, e que é a diminuição da taxa de natalidade.

Nenhuma espécie na história da Terra diminuiu voluntariamente sua taxa de natalidade para tentar controlar sua população, porque elas não sabiam o que era taxa de natalidade, como controlá-la, e que havia um problema populacional. Nós somos a única espécie na história da Terra que pode fazê-lo.

Não há necessidade de decidir se devemos ou não parar o aumento da população. Não precisamos decidir se a população será ou não diminuída. Será, será!

A única coisa que a humanidade tem de decidir é se isso será feito do velho modo desumano que a natureza sempre usou, ou se devemos inventar um modo novo e humano. Esta é a única escolha que nos cabe; diminuir a população catastroficamente por um aumento na taxa de mortalidade, ou diminuí-la humanamente por um controle da taxa de natalidade. E todos  nós fazemos a escolha. E eu tenho a suspeita que não faremos a escolha certa, o que é a tragédia atual da humanidade.

Mas e se fizermos? Suponham que entramos no século 21, e que sobrevivemos? Então a questão é: para que tipo de mundo nós sobrevivemos? Como será o mundo do século vinte e um? Se sobrevivermos, se houver uma civilização, se houver tecnologia. Bem, em primeiro lugar, deverá ser um mundo com uma baixa taxa de natalidade. Terá de ser; esta é a condição da sobrevivência. Terá de ser um mundo com uma baixa taxa de natalidade, porque a população será muito grande no começo do século 21, e pode levar um século para diminuir a população a algum valor razoável.

Então, por todo o século, a taxa de natalidade terá de ser menor que a taxa de mortalidade; e a taxa de mortalidade, esperamos, será muito baixa. Então os bebês vão ser relativamente raros, e as mães não terão muitos filhos. Imagino que será um tipo de mundo em que cada mulher não esperará ter mais de dois filhos. Se ela tiver apenas um filho, bom. E se não tiver nenhum, tudo bem.

Quero dizer, quando as pessoas pensam nisso, elas pensam instantaneamente em suicídio da espécie. “Oh meu Deus! Vamos todos desaparecer!” Teremos bilhões de pessoas na Terra, mais do que nunca tivemos antes deste século! E em toda a história anterior, tivemos uma população menor. Ninguém nunca se preocupou que desapareceríamos da Terra!! E além disso, se parecesse que iríamos desaparecer da Terra, tudo o que teria de acontecer é o seguinte: ter bebês. E vocês se surpreenderiam com a rapidez com que poderíamos consegui-lo.

(risos)

Vocês sabem que em todos os desastres da história, qual foi o único que , ao que saibamos, realmente diminuiu a população mundial? A Peste Negra nos anos de 1300. Que pode ter matado quase um terço de toda a humanidade. A população mundial diminuiu, e levou um século para se recuperar.

Aqueles eram os dias em que as taxas de mortalidade eram muito altas; é claro que levaria um século para recuperar. Hoje em dia levaríamos talvez vinte anos.

E desde então, os desastres vieram: I Guerra Mundial, II Guerra Mundial, a epidemia de Gripe de 1918… não houve nem um tremor no aumento da população humana.

Então temos a grande capacidade de nos multiplicar como coelhos. Não precisamos nos preocupar se permitirmos que a população caia. Deus, quão facilmente poderia reverter à situação se precisássemos.
Mas, há outras coisas a lembrar. Se tivermos uma baixa taxa de natalidade, o que vamos fazer com as mulheres?

Em toda a história, o propósito e a função da humanidade feminina tem sido ter montes de crianças. Agora, nenhuma mulher sã, se pensasse friamente a respeito, quereria um monte de crianças; elas são um problema, e são perigosas à saúde…

(risadas moderadas do grupo)

Sério! Quando a teoria dos germes finalmente apareceu e as pessoas descobriram como fazer para que as mulheres pudessem ter bebês com uma razoável segurança, o mundo descobriu com surpresa que as mulheres tinham uma expectativa de vida maior que o homem. Isto nunca tinha sido compreendido antes, porque em toda a história as mulheres tinham, em média, vivido anos e anos menos que os homens. Com todos os perigos que os homens enfrentavam, o trabalho duro nos campos, os acidentes de caça, as mortes na guerra, tudo o mais, as mulheres morriam mais rápido por uma e uma única razão: dar à luz. Cada mulher tinha um bebê depois do outro até que um deles a matasse. Geralmente, não demorava muito.

Bem, então, por que as mulheres o faziam? Porque lhes era dito cuidadosamente que ser esposa e mãe era a coisa mais gloriosa do mundo, a única coisa para a qual elas se ajustavam, a atividade mais nobre que elas poderiam ter, e… e isso era dito a elas até que elas acreditassem. E se elas não acreditassem, haveria um monte de encrenca preparada para elas.

Bem, eu não vou entrar na história toda. Suspeito que vocês, mulheres, já saibam tudo sobre isto, e vocês homens prefeririam não escutar.

(risadas fracas)

Mas notem a diferença: uma vez que vocês queiram que as mulheres não tenham mais filhos, vocês terão de dar a elas algo para fazer! É absolutamente impossível dizer a uma mulher que ela não pode ter filhos, e ao mesmo tempo que ela não pode fazer mais nada exceto talvez, ocasionalmente, lavar a louça.

(risadas fracas das poucas mulheres do grupo)

Porque se você disser isso a uma mulher, ela vai dar um jeito de ter um bebê.

(risadas e sacudidas do grupo)

Acho que eu também sei como!

(risadas fracas)

Bem, então no mundo do século 21, para manter a taxa de natalidade baixa, teremos que dar às mulheres coisas interessantes para fazer, para que elas fiquem felizes em ficar longe do berçário. E as coisas interessantes que consigo pensar para uma mulher fazer são as mesmas coisas interessantes para um homem fazer. Quero dizer que deveremos ter mulheres ajudando o trabalho no governo, ciência, e indústria… qualquer que haja no século 21. E isto significa que teremos de fingir… quando digo “nós”, digo homens… teremos que fingir que as mulheres são pessoas.

(risadas do grupo)

E vocês sabem, fingir é uma coisa boa porque se você fingir por muito tempo, você esquece que está fingindo e começa a acreditar.

(risos).

Em resumo, o século 21, se sobrevivermos, será um tipo de mundo de liberação da mulher. E para falar a verdade, será um mundo de liberação humana porque, vocês sabem, o sexismo causa danos dos dois lados. Se as mulheres tiverem algum papel que elas devem constantemente desempenhar, gostem ou não, os homens terão algum papel que eles devem constantemente desempenhar, gostem ou não. E se você fizer de um modo que as mulheres possam fazer o que melhor se ajusta a elas, poderá fazer que os homens façam o que melhor se ajusta a eles também. E teremos um mundo de pessoas. E apenas incidentalmente eles serão de sexos opostos, ao invés de serem diferentes em todos os aspectos de suas vidas.

E então, há outra coisa que vocês vão encontrar num mundo assim: vocês terão indiferença à idade, além de indiferença ao papel sexual.

Vocês têm que entender que em toda a história, a humanidade tem vivido em um mundo da juventude. Vocês sabem, falamos sobre a natureza centrada na juventude de nossa cultura. Não pode ser diferente. Em toda a história, a expectativa de vida tem sido de algo entre vinte e cinco e trinta e cinco, dependendo do tempo e lugar. Muito poucas pessoas viveram até a meia idade e além. Muito poucas. Tivemos um mundo de jovens, mesmo hoje naqueles lugares onde a taxa de natalidade é mais alta… consideravelmente mais alta… que a taxa de mortalidade. Você tem lugares onde metade da população tem menos que quinze anos.

Bem, naturalmente, onde a maioria das pessoas é jovem, você se concentra nos jovens! Quando há poucas pessoas velhas, você não se preocupa muito com elas. Seu número reduzido é conveniente. Os idosos são os repositórios da tradição. Nos dias antes dos registros escritos… que dizer de gravadores e computadores… as únicas pessoas que se lembravam de como as coisa eram há muito tempo… há quarenta anos atrás… eram os velhos homens com barbas cinzentas! Então você os respeitava!! Eles representavam sabedoria!! E você os deixava governar o estado e a igreja. A palavra “ sacerdote” vem da palavra grega para velho, e a palavra “senador” vem da palavra latina para velho… como pode-se perceber pela analogia com senna, um tipo de laxante, que nos vem à mente.

(risos fortes)

E, é claro, as mulheres velhas eram temidas. Havia menos mulheres velhas do que homens velhos, porque o único modo de uma mulher se tornar uma mulher velha era não ter filhos, ou ter uma sorte extraordinária. Geralmente a primeira alternativa. Uma mulher velha de algum modo sofria mais que um homem velho porque a elas faltava aquele magnífico sinal da idade: a barba.

(risadas fracas do grupo)

Pensem nisso! Um homem velho tinha uma longa barba cinzenta que cobria toda sua face; é como olhar para um tipo de floresta.

(risos fortes)

Uma mulher, contudo, tinha uma face descoberta onde se podiam ver as rugas! Que as pessoas comuns raramente viam porque era raro ver qualquer pessoa velha que tivesse rugas. Além disso, as pessoas geralmente perdiam seus dentes lá pelos quarenta anos porque não havia algo como dentistas. Então, as mulheres velhas tinham gengivas que ficavam juntas, e aproximavam o queixo do nariz, o que parecia engraçado. Na verdade, se você olhar para a caricatura da ”Bruxa”, como vemos hoje no Halloween, é apenas uma mulher velha sem dentes, e com uma face enrugada. E acho que o medo que as pessoas tinham das bruxas realmente representava o medo da aparência estranha das mulheres velhas… que hoje em dia não existe porque as mulheres velhas parecem novas.

Mas o que fazer em uma sociedade na qual o número das pessoas velhas aumenta? Você tem um grande número de pessoas velhas bem quando você não precisa mais delas. Não precisamos mais delas como repositórios de tradição. Temos tudo por escrito, documentado. E estamos tendo cada vez mais, e mais, pessoas velhas, o tempo todo. A expectativa de vida hoje é de setenta anos nos Estados Unidos; as pessoas nunca morrem, pelo amor de Deus! Quero dizer, esta é uma das razões por que há um abismo de gerações; todas as pessoas velhas se apegam aos empregos até que tenham que se aposentar. E então eles são forçados a se aposentar. E não há nada que se possa pensar em fazer por eles além de lhes dar um relógio, um tapinha nas costas e um ticket para o banco do parque.

Agora, no mundo do século 21, isso vai ficar cada vez pior. Vai haver menos jovens, e talvez a expectativa de vida será maior que hoje, então as pessoas velhas vão durar mais e mais. O que faremos com eles?

Sabemos o que pensamos das pessoas velhas. Eles são um estorvo. São cabeças mortas. Eles não têm pensamentos brilhantes como as pessoas jovens. Eles não são criativos. Eles não são engenhosos. Eles não são ousados. Eles ficam atolados na lama. Conservadores. Atrasados. Quero dizer, eles não estão com nada.

(risadinhas)

Bem, se vamos ter mais pessoas velhas, e vamos evitar morrer de superpopulação, vamos morrer de velhice! E não vamos morrer com um “bang,” vamos morrer com um suspiro.

Bem, vocês sabem, pode não ser assim. Deixem-me mostrar que nossa cultura centrada na juventude é centrada na juventude particularmente por um motivo: educação. Por anos, e séculos, e milênios, sempre se achou que a educação é prerrogativa dos muito jovens. Que há uma coisa assim como ‘terminar sua educação’.

Para falar a verdade, garotos não são estúpidos. Garotos vão para a escola, e vêem que os mais velhos não vão. Agora, ir para a escola é uma droga. E toda criança percebe que quando ela crescer, uma das recompensas de crescer, de conseguir, será… não ter de ir para a escola.

A escola é o preço de ser jovem e indefeso! Não ir para a escola é a recompensa de ser adulto, e forte, e poderoso. Você associa a escola com fraqueza e criancice. Você associa não ter que ir à escola com força e maturidade. Todo garoto sabe que ele vai ser recompensado ao alcançar a idade de dezesseis, ou qualquer idade em que ele possa sair, ele será recompensado nunca mais tendo de ir à escola, nunca mais tendo de abrir outro livro, nunca mais tendo de aprender outro fato, nunca mais tendo de ter outro pensamento. Ensinamos as crianças que ser adulto é ser capaz de ser estúpido pelo resto de sua vida.

(risadas do grupo)

Tudo bem, pegue uma pessoa que desistiu da escola com dezesseis. Que aprendeu que nunca mais teria de pensar novamente. E ele vive outros trinta anos com o que consiga se lembrar do que aprendeu na escola trinta anos antes, e nada mais. E então você diz: “bem, aqui está um cara sem pensamentos novos. Aqui está um cara sem nenhuma ideia criativa. Aqui está um cara com uma cabeça morta”. E é assim que as pessoas velhas são.

Assim é que as pessoas velhas acabam ficando desse jeito. E então você usa isso como desculpa para transformar as pessoas velhas nisso, que é como você pensa que elas são. É o que se chama de argumentar em círculo. Não poderemos mais fazer isso. No século 21, teremos de pensar na educação não como uma tarefa a ser completada, mas como um processo contínuo.

A única coisa que realmente separa a espécie humana das outras espécies de plantas e animais, é que podemos aprender com maior facilidade que as outras espécies. Agora, qualquer coisa que uma espécie possa fazer bem, ela gosta de fazer! Não há dúvida se um pássaro gosta de voar. Que um peixe gosta de nadar. Quero dizer, nossos grandes filósofos dizem isso em suas canções, sabiam? Peixes devem nadar, pássaros devem voar!

(risadas fracas)

Bem, o homem tem de aprender que o processo, que é algo para o qual somos adaptados, é prazeroso… a menos que o prazer seja banido de nós na infância… muito cuidadosamente e muito persistentemente!!! Dêem à humanidade meia chance!! E aprender é um processo agradável que ele fará por toda sua vida! Na verdade as pessoas o fazem. Mesmo aqueles que são mais avessos ao aprendizado em livros aprenderão as coisas que eles gostam; o melhor jeito de jogar bola, os últimos pontos do baseball, sabe-se lá o quê! O que eles querem aprender, eles aprendem com grande facilidade.

E o ponto é que no século 21, se sobrevivermos, podemos imaginar que nossa sociedade tecnológica avançará ainda mais. Haverá ainda mais computação e automação. O trabalho aborrecido do mundo será feito por máquinas. Os homens e mulheres serão capazes de fazer eles mesmos o tipo de trabalho que eles quiserem fazer. Sem dúvida, alguns deles desejarão ser cientistas pesquisadores, ou regentes de orquestra, ou desejarão ser grandes artistas, ou escritores, quem sabe! Haverá pessoas suficientes que vão querer ser isso, e haverá pessoas que vão querer aprender a jogar bola perfeitamente, ou como colecionar folhas, ou como construir navios de guerra com palitos de dente. Qual é a diferença? O que quer que te faça feliz, e aumente a felicidade do mundo, é justificado. E haverá espaço para tudo. E com uma expectativa de vida avançada, por exemplo quando você tiver quarenta, você decidirá que quer começar de novo e estudar grego, e se tornar um perito em literatura grega, quem poderá te impedir? Eu prevejo um século 21 no qual o processo educacional será organizado para que cada ser humano tenha direito a uma ajuda institucional para a educação em qualquer campo que deseje, em qualquer direção que deseje, em qualquer idade que deseje. Educação e aprendizado serão o nome do jogo.

E quando isso acontecer, tenho certeza que será surpreendente quão completamente as pessoas podem ser úteis por todas suas vidas, até que uma verdadeira senilidade física os atinja.

E eu acho que será uma boa vida. Será um mundo sem racismo também. Terá de ser, ou não sobreviverá pela simples razão que o único jeito de aplicar uma taxa reduzida de natalidade, é aplicá-la em todo o mundo de um modo justo e não seletivo. É o único modo de funcionar. Do jeito que está, um dos problemas que temos, e talvez o mais intransigente, é que há seções da Terra, seções da população mundial, que têm fortes suspeitas que quando pessoas como eu falam com ênfase sobre controle da população e em diminuir a taxa de natalidade, o que realmente temos em mente é selecionar algumas pessoas que secretamente pensamos que não são as melhores no mundo, e reduzir suas taxas de natalidade. Reduzir seu número. Livrarmo-nos deles, talvez, então o resto de nós poderá ter uma vida melhor neste mundo. Talvez haja mesmo algumas pessoas que realmente pensem desta maneira. Mas enquanto esse sentimento existir, vai ser muito difícil conseguir que as pessoas diminuam suas taxas de natalidade. E eu acho que se de algum modo conseguirmos convencer o mundo em geral que ninguém odeia ninguém, e que há espaço na Terra para todos os tipos de pessoas, então vai funcionar. E em um mundo como esse, você vai vê que todos vão ter de fingir que não são racistas. E se eles fingirem por um longo tempo eles poderão chegar a acreditar nisso. E o mundo será muito melhor por essa razão.

Você sabe, podemos falar de vez em quando sobre gerenciar nossa própria evolução. Sobre clonagem de pessoas, Sobre decidir como, com engenharia genética, poderemos melhorar a nós mesmos. Mas como melhoramos a nós mesmos? Nós não sabemos. Nós melhoramos bastante os animais domésticos. Temos vacas que dão centenas de galões de leite. Temos carneiros que dão só lã… todinhos.

(risos)

Temos perus que são só peito.

(risos)

E cavalos que podem correr como o vento.

Mas vocês veem, todas estas coisas são coisas que nos agradam. Não temos que perguntar a eles o que os agrada! Mas quando se trata de seres humanos, quando vamos mudar a nós mesmos, temos que perguntar o que nos agrada! E realmente não sabemos. Agora eu acho que muitas pessoas vão… Supondo que você pudesse mudar todos para que todos tivessem certas características. O que quereríamos que eles tivessem? Então… quereríamos que todos fossem gênios. Bem, eu tenho um certo conhecimento pessoal sobre gênios e, deixem me dizer, você só pode aguentar um deles de cada vez.

(risadas)

Digo, eu não quero ninguém perto de mim que seja um gênio; eu mal posso aguentar a mim mesmo.

(grupo ri bastante, e então aplaude)

Ou vamos querer que todo mundo seja um grande pensador, que todos sejam sensitivos, e gentis, e humanos… nãão! Qualquer raça, qualquer grupo de seres humanos em que sejam todos parecidos não apenas são chatos, mas realmente inúteis.

Perguntaram-me há alguns dias… realmente, não estou inventando… se eu não achava que uma elite intelectual deveria conduzir o mundo. E eu disse, quando diz uma elite intelectual, você quer dizer pessoas como eu? Porque eu não sei o que ele quis dizer por elite intelectual. Talvez ele quisesse dizer pessoas como ele, e nesse caso, não!

(risadas)

E ele disse: “Sim, pessoas como você”. E eu disse não, isso não seria bom porque eu só sou esperto em algumas coisas, e muito estúpido em outras. E se todo mundo fosse como eu, e estivéssemos conduzindo o mundo, seríamos todos espertos nas mesmas coisas, e seríamos todos estúpidos do mesmo modo, e é a estupidez que iria nos matar. Eu disse, o que precisamos é de pessoas de todos os tipos governando o mundo! Algumas delas serão espertas de algum modo, e outras serão espertas de outro modo, e com a esperteza de todos em direções diferentes, então elas se cancelam; então a estupidez de todos pode ser cancelada pela esperteza de outro alguém na mesma direção.

(risos fracos)

Do mesmo modo, isso é o que queremos. O maior… o maior dom da humanidade é seu gigantesco banco genético. Todos os genes diferentes que temos. Todas as diferentes características; o esperto e o estúpido, o forte e o fraco. Esta variedade torna possível enfrentarmos diferentes emergências, e o que é fraco sob certas condições pode ser forte sob outras, o que é estúpido agora pode ser esperto de outra vez, e por aí vai. Não podemos jogar algo fora por medo que seja exatamente o que precisaremos algum dia.

Gosto de colocar as coisas deste modo, naturalmente todos pensamos que é muito melhor ser um brilhante físico nuclear, do que ser um encanador. Mas quem você gostaria que morasse na casa ao lado, um brilhante físico nuclear ou um encanador? E a menos que você seja casada com um, pense: quantas vezes você acorda no meio da noite precisando desesperadamente de um físico nuclear?

(grupo ri e aplaude vivamente)

Bem, então estou chegando agora ao fim do século 21. Temos um mundo sem sexismo, preconceito de idade, racismo. Não teremos um mundo sem guerra, mas isto não é nada incomum. Nós temos um mundo sem guerra agora.

(cochichos do grupo)

Vocês não acham que temos? Pensem um pouco. Que tipos de guerras podemos pagar para lutar? Dois tipos. Podemos sustentar uma guerra pequena onde se manda bombas em envelopes, ou se explode algumas bananas de dinamite em um automóvel em um lugar movimentado. Não há como parar isso, e nestes dias os explosivos são baratos. Mas o que se ganha com uma guerra deste tipo? Pode-se manter isso por mil anos, e matar indivíduos, mas não se toma nenhuma decisão deste modo. Não é realmente uma guerra, você só está se divertindo!

(risadas fracas do grupo)

O outro tipo de guerra que podemos pagar é uma guerra nuclear. É barato. Só leva meia hora.

(risos)

E temos todas as armas de que precisamos. O investimento de capital já foi feito. A única coisa é que depois que a meia hora acabar, não há nada a fazer, e muito poucos generais serão promovidos nessa meia hora.

(risadas)

O que liquida instantaneamente a coisa para os militares.

(cochichos do grupo)

Bem, então, podemos lutar a velha e divertida guerra, onde você e o inimigo escolhem lados, e você pega um lado, e joga bombas nele, e eles jogam bombas em você por quatro ou cinco anos, e então você decide quem vence e quem perde, quem paga a indenização, e quem faz a ajuda…

Não vamos mais poder fazer isso, porque ninguém vai ter gasolina para isso.

(o grupo ri e então aplaude)

Exceto os árabes.

(risadas)

E eles não podem lutar uma guerra a não ser que alguém lhes dê algo onde por a gasolina.

(risadas)

Então já estamos em um mundo sem guerra. A única coisa que precisamos no século 21 é um mundo que perceba que é um mundo sem guerra.

E mais uma coisa: se tivermos um mundo sem racismo, preconceito de idade, sexismo, guerra… vai ser um mundo bem chato. Aqui estamos, vivendo por toda a história com uma certa quantidade de excitação e risco no mundo, e é um pouco vergonhoso nos sentarmos nesse mundo cuidadoso e frio do século 21 e depois, no qual não só todo o mundo está feliz, mas todo mundo é muito cuidadoso… Porque, você sabe, vivemos por slogans. Imediatamente depois da II Guerra Mundial, toda nossa política externa era baseada no slogan “Chega de Muniques”. Até que chegamos à guerra do Vietnam gritando isso, e agora é “chega de Vietnams”. E, bem, no século 21, vou lhes dizer o slogan agora. Aqueles de vocês que viverem no século 21, venham pôr flores em meu túmulo, porque o slogan será “Chega de séculos 20”.

(o grupo ri e aplaude)

Então, todo mundo vai ser muito cuidadoso com os avanços científicos. Eles vão perguntar: “Antes de fazermos isso, será que vai destruir a camada de ozônio? Antes de fazer aquilo, será que vai nos tornar dependentes disto ou daquilo? Quais são os efeitos colaterais? Quanto câncer vai causar?” Vocês sabem, esse tipo de coisa. Então você vai se mover muito… e imaginem que tipo de mundo é esse? Você vai rastejar até a morte!

Bem, no século 21 teremos que encontrar um novo horizonte que está bem ali: lá fora. Vamos voltar até a Lua,só que desta vez não só ir lá e voltar. Vamos estabelecer uma colônia lá, e teremos um grupo de pessoas na Lua que poderão fazer longos voos porque estarão acostumadas a ficar enclausuradas e trancadas em um ambiente de engenharia sujeito à baixa gravidade. E eles vão trabalhar em outros mundos do sistema solar.

E então, você sabe, podemos correr tantos riscos quanto quisermos. Toda a coisa… nós sempre vivemos com risco, e isso tem sido a melhor coisa da vida. O problema é que agora atingimos um ponto onde o risco é arriscar tudo! E não podemos nos dar ao luxo de arriscar tudo. Até agora, na história do mundo, sempre que tivemos uma idade das trevas, tem sido temporária e local. E outras partes do mundo estavam bem. E no fim, eles te ajudam a sair da idade das trevas. Estamos agora enfrentando uma possível idade das trevas que será mundial e permanente! Isto não é engraçado. É uma coisa diferente. Mas uma vez que tenhamos nos estabelecido em muitos mundos, poderemos fazer o que quisermos enquanto quisermos, em um mundo de cada vez.

(o grupo ri)

E lá fora, além das estrelas.

E a coisa interessante é que se conseguirmos ultrapassar os próximos trinta anos, não há motivo para que não entremos em um tipo de platô que verá a raça humana durar, talvez, indefinidamente… até que ela evolua para coisas melhores… e se lance indefinidamente para o espaço. Temos a escolha aqui entre nada… e virtualmente o infinito. E a boa coisa disso é que vocês caras da plateia hoje, quando digo caras é um termo geral que abrange as garotas… quando vocês caras da plateia hoje ainda estiverem entrando na meia idade, vocês saberão qual escolha foi feita.

Veja, tenho sido tão astuto que dei um jeito de nascer em 1920.

(o grupo ri)

O que significa que com certeza eu estarei bem morto.

(risadas)

Antes que a encrenca comece!

(risos)

Mas vocês caras verão por si mesmos. Espero que vocês vejam um mundo no qual a humanidade decidiu continuar sã. Mas devo dizer com honestidade que acho que as chances são poucas.

Obrigado.

(fim da palestra – o grupo aplaude por 24 segundos)

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DICAS INICIANTES PARA ESCREVER CONTOS DE FICÇÃO CIENTÍFICA

As dicas abaixo servem de ajuda para vocês alunos capricharem na confecção de seus contos de ficção científica.

 

 

O primeiro passo para realizar qualquer trabalho escrito é o conhecimento do vocabulário, tanto o morfológico, como o semântico. O primeiro permite criar até novos vocábulos, o segundo possibilita o enriquecimento verbal e a capacidade de profundidade do vocabulário. Trabalhar as palavras conforme o tempo e o espaço.

O conto é uma narrativa sintética de extensão menor que o romance, um único ambiente, ou quase único, e uma situação única. Captar um momento preciso ou um episódio da vida, de uma forma linear e monocrônico. E representar o episódio de uma forma cômico, trágico, monstruoso, ingênuo, místico ou sublime, dando ênfase ao suspense até a última linha. Apresentando o desfecho com um fato inesperado ou uma lição de moral. Caso faltem esses elementos teremos diante de nós uma estória ou historieta.

O enredo do conto deve apresentar em linhas gerais, as seguintes fases: 1)apresentação; 2) complicação ou evolução; 3) clímax; 4) solução ou desfecho.

Devemos levar em conta uma regra básica ao escrever um conto de Ficção Científica: o ponto de vista do leitor. É essencial despertar a curiosidade logo no início, no primeiro parágrafo e até mesmo no título, não deixando de lado o uso da criatividade e da imaginação. Se conseguir despertar esse interesse logo nas primeiras linhas todo o trabalho ficará facilitado. Deixar a leitura suave usando bem e com bom senso a língua. É importante não usar palavras rebuscadas e sempre pensar na clareza. Os termos técnicos também devem ser evitados, a não ser aqueles de uso consagrados na literatura de Ficção Científica, mas isso não impede de criar novos termos.

É importante evitar o uso de repetições fazendo uso de sinônimos. O conto não deve cansar o leitor e superestimar a inteligência do leitor, podemos enganar usando um raciocínio lógico falso que o induza a pensar de uma forma, mas nunca dizer o óbvio. O título não deve sugerir o conteúdo do conto. Os títulos curtos são sempre melhores e instigantes.

As explicações e descrições que não tenha importância para a história devem ser eliminadas, cortar parágrafos é dar movimento mais dinâmico ao conto.

Uma dica da língua portuguesa é deixar de lado os verbos de ligação e os pronomes reflexivos, com eles, a leitura se torna cansativa. Também evitar o uso demasiado de conjunções aditivas.

O desfecho do conto, talvez seja a parte mais difícil de ser trabalhada, pois necessita de muita criatividade. Diferente da novela e do romance onde a trama e o desenvolvimento da história são os elementos principais. No conto o suspense deve ser mantido até a linha final, fechando-o com uma frase de efeito moral ou algo inesperados. Deixar o final suspenso também é uma boa alternativa.

O importante é despertamos algum sentimento dentro do leitor e a surpresa é a arma do negócio.

Fonte: Revista Scarium MegaZine nº 0

 

 

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